Greve geral será resposta das ruas contra o retrocesso de direitos da classe trabalhadora

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Trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões de São Paulo encerram com grande ato público na Praça da República, centro paulistano, o Dia Nacional de Paralisação e Mobilizações - Rumo à Greve Geral.

Em São Paulo, não foi diferente do que se viu de norte a sul do país na sexta-feira (29): uma grande mostra de democracia e unidade dos movimentos sociais e sindical, que tomaram as ruas contra as medidas do governo federal que retiram direitos e colocam no bolso da população a conta do ajuste fiscal.

Ainda na última sexta-feira, os metalúrgicos de todo país também atenderam à convocação da CUT. Confira aqui. 

O movimento é rumo à greve geral - se assim for necessário para avançar na construção de uma país soberano - e se o Congresso Nacional e o governo insistirem na retirada de direitos, a resposta vira nas ruas, parando a produção, afirma Julio Turra, diretor executiva da CUT Nacional.

"Vamos parar em defesa dos direitos e de uma verdadeira democracia, não essa palhaçada de reforma política - que não é reforma - que o Cunha está fazendo com uma bandeira que é nossa. Com esse Congresso não dá", pontua o dirigente. Segundo Turra, o caminho à reforma política democrática no Brasil é uma Constituinte Exclusiva, com representantes eleitos pelo povo, sem o poder econômico.

No centro paulistano, o recado dos manifestantes também foi ao governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) - os professores decidiram continuar a greve, que já dura quase 80 dias. Durante a mobilização, o público aplaudiu os pais pelo apoio ao movimento grevista.

"As mobilizações seguem pelo Brasil e vamos mostrar que os professores de São Paulo são de luta, que não vão arredar pé enquanto o governo estadual não atender nossas reivindicações", avisa o professor Douglas Izzo, vice-presidente da CUT São Paulo e diretor executivo da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

No serviço público municipal paulistano, o embate à terceirização está na campanha salarial da categoria. Da poda de árvore até a realização de projetos sociais, são vários os serviços públicos transferidos pela gestão municipal a empresas terceirizadas.

"Se buscar em todas as secretarias municipais, todas têm setores já terceirizados, não é só na limpeza e segurança. A grande questão é que estão tentando avançar para outras áreas", explica João Batista Gomes, secretário de Políticas Sociais da CUT/SP e secretário de Imprensa e Comunicação do Sindsep-SP (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo).

Por questões técnicas e com a pressão dos servidores municipais, o Tribunal de Contas do Município cancelou o pregão que a Prefeitura realizaria, em 2 de junho, para contratação de motoristas ao serviço funerário. 

Direitos em risco na onda conservadora 
A proposta de terceirização ilimitada em todos os setores das empresas aguarda votação no Senado, com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 30/2015.

E como parte do ajuste fiscal, no último dia 27, os senadores aprovaram a Medida Provisória (MP) 664/14, que alterou as regras para o recebimento do auxílio-doença e da pensão por morte e, no dia 26, a MP 665/14, para a concessão do seguro-desemprego, do seguro-defeso e do abono salarial.

Nos discursos e nas manifestações do público, também não faltaram críticas à proposta de redução à maioridade penal, nem ao financiamento empresarial de campanha eleitoral, recém aprovado numa manobra de Eduardo Cunha, presidente da Câmara federal.

"Há uma ofensiva da classe dominante, que privatiza e usa o Congresso para terceirizar o povo. A direita está pulverizando suas frentes e só a unidade dos trabalhadores e dos movimentos sociais resolverá mudanças estruturais no país", avalia Raul Amorim, do MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Para José Augusto Camargo, o Guto, do Sindicados dos Jornalistas de São Paulo, "o povo venceu a ditadura e vai vencer o avanço da direita também", conclui.

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