“Não vamos afrouxar”, garante CUT-RS nas manifestações em Porto Alegre contra reforma da Previdência de Temer

Compartilhe: Facebook Twitter Google+



A CUT-RS, centrais sindicais e movimentos sociais realizaram várias manifestações em Porto Alegre nesta segunda-feira (19), marcando o Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência. As entidades não recuaram diante da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e mostraram indignação, resistência e disposição de luta para barrar os retrocessos da proposta do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB).

Os protestos iniciaram na madrugada, às 5h, no Monumento do Laçador, em Porto Alegre. De lá, após concentração, os manifestantes saíram em caminhada até o Aeroporto Internacional Salgado Filho.

No saguão de embarque foi realizado um ato denunciando a propaganda enganosa do governo e os interesses por trás da reforma da Previdência. Também foram mandados recados aos assessores dos parlamentares que embarcavam para Brasília.

Depois, os manifestantes se deslocaram até a Estação Rodoviária, no centro da capital gaúcha, onde fizeram às 7h outra concentração, com panfletagem aos usuários de ônibus e do Trensurb. Além disso, eles levantaram cartazes, faixas e bandeiras, gritando palavras de ordem, enquanto dirigentes de entidades de diferentes categorias falavam para a população.

Às 8h30, os participantes saíram em marcha até o prédio do INSS, na Travessa Cinco Paus, ao lado do Mercado Público, onde foi realizada, às 9h, outra manifestação.

Os presidentes das centrais sindicais enfatizaram a necessidade de manter e fortalecer ainda mais a resistência para enterrar a reforma da Previdência do golpista Temer.

Ao final, todos e todas foram convidados a participar do ato das centrais sindicais e frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que ocorre na tarde desta segunda-feira, com concentração às 17 horas, na Esquina Democrática.

“Não vamos afrouxar”

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, lembrou que mais uma vez o povo brasileiro se levantou contra a reforma da Previdência. Ele informou que havia inclusive greves e paralisações em várias cidades no interior gaúcho e outros estados. “Não basta a gente reclamar da reforma da Previdência, que transforma a aposentadoria numa missão impossível, mas vamos ter que lutar muito para que ela não aconteça.”

“Já colocamos os deputados que estão com Temer nos postes (referência aos cartazes e outdoors) a estamos avisando aos indecisos que a cara deles vai para o poste também, caso fiquem contra os trabalhadores. Apostam que vamos esquecer que votaram a reforma trabalhista, que mantiveram Temer no cargo a custa de muito dinheiro e que querem fazer a reforma da previdência, mas não vamos deixar o povo esquecer”, alertou.

Nespolo chamou a atenção para a intervenção federal no Rio que, segundo ele, se trata de uma “cortina de fumaça” para a reforma da Previdência. “Mas sabemos que um dos principais motivos do golpe contra a presidente Dilma foi aprovar a reforma trabalhista e a reforma da previdência e, por isso, não vão desistir. Por isso, não vamos afrouxar”.

Ladrões de direitos

O dirigente da CUT-RS também lamentou que os deputados, que apoiam o governo Temer e que já declararam seu voto a favor da reforma, não estiveram de madrugada no Aeroporto embarcando para Brasília “para ouvirem o que os trabalhadores têm a dizer”. Segundo Nespolo, “eles pegam carona nos aviões da FAB, dos ministros Osmar Terra e Padilha, que utilizam a Base Aérea de Canoas para fugirem da pressão popular”, denunciou.

Ele lembrou que não só a reforma da previdência precisa ser computada na conta desses deputados, mas também a reforma trabalhista, que retirou direitos históricos dos trabalhadores. “São ladrões de direitos, que aprovaram a reforma trabalhista e agora querem ‘arrancar o couro’ dos aposentados e roubar o futuro dos brasileiros”, disse.

Nespolo avisou que as entidades sindicais e os movimentos sociais irão atuar nas bases eleitorais desses parlamentares no Estado para não deixar a população se esquecer quem são eles. Ele destacou que estão sendo colados novos cartazes e foram instalados 100 outdoors com a foto dos deputados favoráveis na Capital e no Interior.

“Estamos reafirmando o pacto de luta contra a reforma da Previdência e pela democracia. E estamos só começando. Vamos pegar o pé dos deputados numa ponta e, na outra, ir preparando a greve geral, porque, se marcarem para votar, o Brasil vai parar”, finalizou repetindo um das principais palavras de ordem das manifestações das centrais.

A secretária da Igualdade Racial da CUT-RS, Angélica Nascimento, destacou que o ato também era para alertar a população em geral dos riscos que todos correm com a reforma da Previdência, especialmente as mulheres. “A gente vê na televisão dizerem que não vai ser retirado direito algum, que ninguém vai ser afetado, mas as mulheres serão sim as mais afetadas”, frisou.

Angélica lembrou que já foi assim com a reforma trabalhista, que entre outras maldades permite que as mulheres grávidas trabalhem em locais insalubres. “Não vamos nos iludir com a reforma da Previdência, acreditando que, como diz a mídia, não seremos afetadas, porque seremos sim”.

Fim dos sonhos

O vice-presidente da CUT-RS, Marizar Mansilha de Melo, reiterou a necessidade de dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras e firmar posição de que no próximo mandato os que votarem a favor da reforma “não estarão mais viajando para Brasília na segunda-feira porque não vão se reeleger”.

Ele destacou ainda que é tarefa de cada um e de cada uma ajudar na conscientização da população, dos trabalhadores do campo e da cidade, dos setores privado e público, de que a reforma da previdência é mais um golpe nos direitos dos trabalhadores brasileiros. “É o fim do sonho dos jovens que estão começando a trabalhar; das pensionistas; e também dos que estão para se aposentar”, acrescentou Marizar.

Enganosa e sorrateira

A presidente do CPERS Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, chamou a atenção para o cuidado com o que a mídia reproduz. “Antes a mídia nacional chamava a população às ruas para derrubar o governo Dilma, mas não falou que o golpe não foi contra uma presidenta ou um partido, mas contra a população. Usou o discurso da corrupção para esconder que tem lado e é o lado do golpe”, criticou ela, lembrando que assim como defendeu a reforma trabalhista, agora a mídia defende também a reforma da Previdência.

Para Helenir, a mídia “tem lado, engana e é sorrateira e nosso papel é conversar com a população e mostrar o que realmente representa a reforma da Previdência e o prejuízo que trará para o povo”. Ela salientou que essa reforma vem sendo levada a cabo por um governo que está tirando todos os direitos dos trabalhadores para beneficiar os empresários deste país. “Nossa luta será denunciar em todos os cantos do Brasil os deputados que riem de nós e que dizem que não se elegeram com nossos votos. Temos que garantir que aqueles que votarem contra os trabalhadores não voltarão para Brasília”, finalizou.

Falando em nome dos jovens, Vitor, representando o Levante Popular da Juventude, ratificou que a juventude está mobilizada contra o governo golpista do Temer. “A reforma da previdência compromete o nosso presente e o nosso futuro. Somos o segmento onde há maior desemprego e não vislumbramos soluções. Por isso, não sairemos das ruas enquanto essa reforma não for barrada. Temos clareza de que o golpe não foi somente contra uma presidente eleita legitimamente, mas contra toda a juventude, especialmente a das periferias que é a que mais sofre”, frisou.

Unidade

O presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, lembrou que os ataques do Temer aos trabalhadores são para garantir o pagamento da dívida pública e dos juros aos especuladores e aos grandes banqueiros.

“Depois de apresentar a famigerada reforma trabalhista, com alteração em 100 artigos da CLT só com malefícios aos trabalhadores, agora querem aplicar essa contrarreforma da Previdência. Isto significa aposentadoria na hora da morte”, pontuou Guiomar.

O dirigente da CSP-Conlutas, Érico Correia, denunciou o que tem acontecido nos atos públicos com “a indústria de multa aos caminhões de som dos manifestantes pela Brigada Militar e pelo prefeito Marchezan (PSDB)”. Segundo ele, a medida tem objetivo de inviabilizar que os trabalhadores façam suas manifestações, o que, acrescentou, é considerada uma repressão repudiada pelo movimento social.

Érico destacou a importância da unidade das centrais sindicais. “Vamos resistir e esta unidade, que passa por cima de diferenças pontuais, é justa e necessária para fazer o bom combate, derrotar o governo Temer e colocar a classe trabalhadora no rumo das conquistas”.

Na lixeira

Antes de encerrar o ato em frente ao INSS, em sinal de protesto e indignação, os manifestantes jogaram cartazes com as fotos dos nove deputados que são favoráveis à reforma da Previdência nas lixeiras.

“Lugar de lixo é na lixeira”, afirmou o secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS, Antônio Güntzel.

Galeria de imagens