Em tempo de golpe, democratização da comunicação requer estratégia para enfrentar monopólios de mídia e proteger comunicadores

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O painel “Alternativas para a democratização da comunicação” abriu o segundo dia do 1º Encontro Gaúcho pelo Direito à Comunicação (EGDC), na manhã de sábado (28), no auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Mais de 90 comunicadores participaram do encontro.

As painelistas Beth Costa, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e secretária de Comunicação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), e Neusa Ribeiro, professora aposentada da Feevale, junto com os painelistas Marco Aurélio Weissheimer, repórter do Sul21, e Pedro Osório, jornalista, ex-presidente da Fundação Piratini e professor da Unisinos, destacaram a importância da estratégia e da comunicação comunitária, sindical, alternativa e independente neste período de golpe para enfrentar as barreiras dos monopólios de mídia e do governo ilegítimo, na perspectiva de resistir aos retrocessos e democratizar a comunicação.

Luta pela democratização da comunicação é sempre ferrenha

Neusa Ribeiro ressaltou que a luta pela democratização da comunicação é sempre ferrenha e classificou o FNDC como um marco nesta caminhada. “Nas mais de duas décadas de existência do Fórum, tivemos avanços relevantes, como nas rádios comunitárias, porém não avançamos mais do que se estabeleceu”, frisou.

De acordo com Neusa, já houve momentos em que o país teve mais de 5 mil rádios comunitárias e hoje existem pouco mais de 3 mil emissoras. “É uma luta permanente. Apesar de todo o desgaste, seguimos na luta pela democratização”.

A professora relatou uma experiência de implementação de uma rádio comunitária na Ilha da Pintada, na capital gaúcha, entre 1995 e 1996.  “Foi muito gratificante acompanhar os moradores se sentirem parte daquele processo”.

Para ela, a formação de uma rede informal da realidade com uma produção coletiva sobre o fazer comunicação irá colaborar com a democratização da comunicação. “Precisamos reencontrar as pessoas”, apontou.

Resistir e proteger comunicadores da mídia alternativa

Para Marco Weissheimer, o debate de democratização da mídia ocorre num contexto de golpe de estado com características bastante definidas. “Desmonte de políticas públicas, destruição de direitos, criminalização dos movimentos sociais, crescimento de grupos de extrema direita e crescimento da censura”, enumerou.

Ele acredita que é preciso pensar a resistência e uma rede de proteção aos profissionais de comunicação da mídia alternativa e sugeriu a criação de espaços que pensem essa iniciativa para os comunicadores que atuam juntos com os movimentos. “A velocidade dos fatos é muito grande e a ofensiva conservadora é avassaladora”, disse.

Outro aspecto que o jornalista ponderou foi a necessidade de pensar outras dimensões da democratização da comunicação, como a distribuição da informação. “Entender tecnicamente como funciona a distribuição da informação nas redes é tão importante como o monitoramento posterior. Precisamos saber se a nossa informação está chegando e para quem”, disse ele.

Weissheimer salientou a interação como primordial para democratizar os meios. “Melhorar as nossas redes sociais, virtuais e reais, para sair da nossa bolha”, disse.

Democratizar a comunicação passa pelo fortalecimento dos sindicatos

Lembrando a “degradação do jornalismo”, apontada no primeiro painel do EGDC, Pedro Osório defendeu que a democratização da comunicação passa pelo fortalecimento dos sindicatos. “Isso não pode ser descolado”, ressaltou.

Mapear as mídias alternativas também foi apontado por ele como imprescindível nesta luta. “Precisamos saber quem são e o que fazem, os que produzem algo diferente da mídia hegemônica”.

Segundo ele, a mídia tem várias facetas, mas o jornalismo é o que representa o maior perigo. “Por isso, está no centro da luta da democratização, pois o jornalismo estabelece nexo entre realidades até então desconhecidas”, esclareceu Pedro Osório.

“Precisamos trabalhar para romper com o ciclo histórico da imprensa brasileira que é historicamente comprometida com a burguesia. A sociedade precisa se reconhecer como tal e para isso o jornalismo é fundamental”, salientou o professor.

Ter estratégia para onde se quer chegar

Beth Costa abordou a necessidade de resgatar e atualizar a plataforma do FNDC, “que já foi visionária”.  Ela citou inúmeras iniciativas aos longo dos anos que propuseram uma leitura critica da mídia, em diversos espaços. “Precisamos retomar essas iniciativas com perspectiva e estratégia para onde se quer chegar”, enfatizou.

A jornalista ponderou que não basta apenas analisar as fontes de informação. O desafio que se coloca na atual conjuntura é dar visibilidade para essas fontes, “porém com credibilidade”.

Ela falou ainda sobre a iniciativa do Comitê Carioca do FNDC, que promove mensalmente a chamada “Esquerda na praça”, fazendo debates em praça pública no centro do Rio de Janeiro. “Precisamos agir em todas as frentes, pois a nossa reação deve ser coletiva”, afirmou.

Ao finalizar, Beth citou uma frase do jornalista Daniel Herz, a quem foi dedicado o 1º EGDC e que recebeu uma justa homenagem: “a luta pela democratização da mídia é uma luta sem fim previsível”.

O painel foi transmitido ao vivo pela página do Sindicato dos Jornalistas do RS no Facebook e compartilhado na página da CUT-RS.

O 1º EGDC foi promovido pelo Comitê Gaúcho do FNDC, com apoio da Fabico da UFRGS, além de diversas entidades sindicais, movimentos sociais e diretórios acadêmicos.

 

Fonte: CUT-RS com Comitê Gaúcho do FNDC

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