Papel da mídia na construção do golpe marca abertura do 1º Encontro Gaúcho pelo Direito à Comunicação

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Foi em clima de resistência, com a presença de movimentos sociais, professores e estudantes, ativistas e representantes de diversas entidades que teve início o 1º Encontro Gaúcho pelo Direito à Comunicação (EGDC), na noite desta sexta-feira (27/10), em Porto Alegre. A atividade, que segue acontecendo neste sábado, das 9h30 às 18h, tem como tema o papel da mídia na construção do golpe e as alternativas para a democratização da Comunicação.

O encontro, que está sendo realizado na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é promovido pelo Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que é coordenado por CUT-RS, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (SINDJORS) e Sindicato dos Servidores Públicos do RS (Sindsepe-RS), e conta com apoio de diversas organizações.

Compreendendo a importância de discutir a comunicação no país, a FeteeSul também marca presença na atividade. Para o coordenador-geral da FeteeSul, Celso Woyciechowski, esse é um tema fundamental para ser pensado pelo trabalhador e pela trabalhadora. "Na grande mídia, existe um monopólio de informação que criminaliza a consciência de classe trabalhadora. Esse encontro é um importante espaço para refletir e potencializar uma comunicação alternativa e plural, que quebre esse monopólio e que ajude no processo de conscientização política e social, defende Celso.

 

Noite de debates e resistência


Nesta primeira noite, que abriu com a posição do  Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), aconteceu o lançamento estadual do relatório “Calar Jamais! – Um ano de denúncias contra violações à liberdade de expressão”. Depoimentos de violações à liberdade de expressão marcaram o primeiro ano da campanha “Calar Jamais!” do FNDC. Clique aqui para acessar o relatório.

A mesa de abertura contou com a fala do presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, Milton Simas, que reforçou o momento de retrocessos e ataques aos direitos dos trabalhadores. Representando a FNDC, Beth Costa traçou o histórico do movimento pela democratização da comunicação, que surgiu na constituinte e conquistou importantes vitórias no artigo 221 da Constituição Brasileira. O problema, segundo Costa, é que até hoje nada do que está lá foi regulamentado.

O presidente da CUT-RS Claudir Nespolo ressaltou a importância desse encontro para o alinhamento dos movimentos sociais para a resistência na exigida pela atual realidade brasileira. Ainda na mesa de abertura, a vice-diretora da Fabico, Ilza Maria Tourinho Girardi deu boas-vindas aos presentes em nome da universidade. Para ela, “é hora de começar a lutar pela cidadania”.

O jornalista Matheus Chaparini e a deputada Maria do Rosário deixaram seus depoimentos de violação à liberdade de expressão. Chaparini lembrou de quando foi detido em exercício da sua profissão. Já a deputada trouxe ao encontro as diversas repressões que têm acontecido, como os casos de exposições que foram fechadas no Brasil.

A atividade seguiu com o painel "O papel da mídia na construção do golpe", que reuniu quatro especialistas no assunto: Christa Berger, professora da UFRGS; Moisés Mendes, jornalista; Benedito Tadeu César, cientista político e professor aposentado da UFRGS; e Pedrinho Guareschi, pesquisador, sociólogo e professor.


Em sua manifestação, Benedito Tadeu César lembrou que o atual momento brasileiro tem muita relação com os golpes amparados pela mídia em outros países latino-americanos. Para ele, vivemos uma guinada à direita em todo o mundo, pois a democracia não serve mais ao modelo neoliberal. Já Moisés Mendes acredita que o futuro da mídia está na nova geração de jornalistas. Para ele, os grandes meios devem seguir, mas a pluralidade e as diferenças devem fomentar uma produção jornalística que seja diferente dessa que serviu de base para o golpe.

Christa Berger trouxe ao debate as relações entre centenas de parlamentares com empresas de comunicação e com instituições religiosas. Para ela, a construção do golpe passou por uma gestação na imprensa, através de repetição de ideias que, muitas vezes, foram trabalhadas por parlamentares que tinham programas em rádios e televisões. Já Pedrinho Guareschi nos lembrou que o dinheiro é o grande motor do golpe, exemplificando as medidas que vieram depois e atacam direitos dos trabalhadores, a previdência, a educação, entre outros. Ele encerrou sua fala lembrando que nossas ações hoje são como algoritmos, servem para criação de bancos de dados e que esses dados são utilizados para estruturação de ideias hegemônicas a serviço do capital financeiro.

 

­Encontro segue neste sábado

A programação continuará neste sábado (28/10), das 9h30 às 18h. Haverá um painel sobre “Alternativas para a democratização da Comunicação” e quatro painéis temáticos simultâneos, focados nos desafios da comunicação comunitária e alternativa; a mídia e a luta contra o racismo e a discriminação de gênero; o monopólio da mídia e o ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários; e o desmonte da comunicação pública.

Ainda está prevista uma homenagem merecida a Daniel Herz, jornalista, professor, mestre em Comunicação, diretor da Fenaj e autor do livro “A história secreta da Rede Globo”,  falecido em 30 de maio de 2006, em Porto Alegre. Ele foi fundador do FNDC e do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom). Ao final, ocorrerá uma plenária estadual do FNDC para a aprovação de encaminhamentos e da Carta de Porto Alegre.

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