Instituições de Ensino Superior privado fazem readequações para encarar desafios impostos pela crise

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Depois de anos em ascensão, enquanto condições econômicas e o apoio do governo federal desenhavam um cenário favorável à expansão, as instituições privadas de Ensino Superior começaram a sentir os efeitos da crise. Com a restrição maior ao financiamento estudantil e a constante dificuldade de manter alunos capazes de arcar com os custos da educação, elas buscam manter a qualidade enquanto veem número de ingressantes, créditos contratados e receita diminuírem.

O aperto nas contas, que já atinge as universidades desde o início do ano passado, significa que a construção de novos campi, a oferta de mais cursos e a revitalização de laboratórios, entre outros planos, acabam ficando para depois – quando não são cancelados. Neste contexto, prédios deixam de ser erguidos, salas não passam por reformas, e profissionais ficam sem promoção. 

A crise atinge o bolso de todos. Para professores, que veem menos turmas sendo formadas, a quantidade de horas/aula diminui, o que tem influência direta nos salários. Para os alunos, cada vez mais preocupados com as contas, o aproveitamento também pode cair e resultar em um período maior até a formação. Isso se não acabar levando à desistência.

Os anos de expansão foram pavimentados, em especial, por dois objetivos: aumentar o acesso ao Ensino Superior, tanto na rede pública quanto na privada, e facilitar o pagamento das mensalidades ou aumentar as possibilidades de isenção a quem optasse por uma faculdade particular. Para tanto, foram criados diversos programas, como o Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ambos sob coordenação do Ministério da Educação (MEC) e alvos de alterações que resultaram em cortes nos últimos anos.

Esse caminho de expansão, agora, chega a um momento difícil. Com orçamento cada vez mais contido, as faculdades, universidades e centros universitários da rede particular precisam não mais batalhar para crescer, mas lutar para conseguir se manter dentro da própria estrutura.

Responsáveis por abrigar a maior parte dos estudantes que estão matriculados em uma faculdade, as instituições particulares são fundamentais para que o Brasil possa atingir uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE): a de elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior de 34,2%, em 2014, para 50% até 2024. Como em uma difícil etapa do vestibular, são elas agora que terão de provar sua resistência.

Readequações no corpo docente

Talvez o impacto mais dramático da crise que chegou às universidades particulares seja o aumento no número de demissões de professores. Em algumas delas, essas demissões são consideradas parte de um movimento de equilíbrio de contas, que, por vezes, envolve a substituição de profissionais contratados há mais tempo por novos docentes com a mesma titulação, que chegam recebendo um salário menor. 

Em outras situações, diante das dificuldades econômicas, a reposição dá lugar ao fechamento de vagas. Mesmo quando optam por não abrir mão dos professores, uma saída encontrada pelas instituições privadas de Ensino Superior está na diminuição da carga horária de seus profissionais. Com menos turmas e com alunos, em geral, contratando menos créditos, as horas/aula também acabam sendo reduzidas.

– A instituição vai reduzindo custos, deixa de oferecer vestibular de inverno, diminuindo a carga horária, e, então, decide desligar o professor. É uma ação extrema, mas que tem acontecido com mais frequência de 2015 para cá – garante Amarildo Cenci, diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS).

Na semana passada, a Unisinos anunciou a demissão de 50 professores, segundo o sindicato. Muitos deles seriam doutores, que têm remuneração maior. Ao Sinpro, a universidade informou que os motivos seriam a crise econômica e a redução nas matrículas. Em nota oficial, a Unisinos salientou que os desligamentos "são pontuais e decorrentes de ajustes internos", e afirmou que "esses movimentos não interferem no seu compromisso com a excelência acadêmica".

As universidades Feevale, de Novo Hamburgo, Centro Universitário Franciscano (Unifra), de Santa Maria, e PUCRS também admitem processos de readequação no quadro docente, o que envolve demissões. Outras instituições de Ensino Superior, como Univates, Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Imed, tiveram atrasos em alguns investimentos, principalmente de infraestrutura. Todas viram o número de alunos matriculados – e, entre eles, o números de créditos contratados – cair nos últimos semestres.

Fonte: Zero Hora
Foto: Jean Pimentel

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