Escola Sem Partido critica falta de apoio de Bolsonaro e suspende defesa da causa

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 O advogado Miguel Nagib, do Escola sem Partido, na Câmara dos Deputados, em 22 de fevereiro de 2017. Foto: Gilmar Felix | Câmara dos Deputados.

Lua de mel com o presidente chega ao fim, e Miguel Nagib afirma que movimento vai ser encerrado a partir de 1º de agosto 

Criado em 2004, o movimento Escola Sem Partido decidiu, a partir de 1º de agosto, suspender suas atividades. Dedicado ao combate à “instrumentalização do ensino para fins políticos, ideológicos e partidários”, a instituição alega não ter apoio do governo Jair Bolsonaro em defesa da causa. O comunicado foi feito nas redes sociais na terça-feira (16) e confirmado pela Gazeta do Povo.

Segundo o coordenador do Escola Sem Partido, o advogado Miguel Nagib, desde o fim das Eleições 2018, Bolsonaro “não tocou mais no assunto” e que “por alguma razão, o tema sumiu do radar do presidente”


“Tudo isso é muito frustrante para nós. A reforma da Previdência explica e justifica perfeitamente que o projeto Escola sem Partido não esteja tramitando no Legislativo. Mas e o Executivo? O Executivo poderia ao menos escutar as sugestões do nosso movimento. Mas nem isso”, diz.

Procurado, o Palácio do Planalto não comentou a declaração e direcionou os questionamentos sobre o tema ao Ministério da Educação (MEC), que preferiu não se pronunciar.

Para Nagib, o Escola Sem Partido tem atualmente “poucas chances de avançar sem o apoio político do presidente Jair Bolsonaro” porque o movimento atingiu o seu limite de adesão para emplacar o tema no Congresso.

“Ele foi o único candidato que apoiou a proposta do movimento durante a campanha. (...) Sem o apoio de Bolsonaro &8210; não me refiro ao governo, mas à liderança política do presidente &8210;, o Escola sem Partido dificilmente conseguirá avançar. Batemos no teto”, declarou.

A bandeira defendida pelo Escola Sem Partido é o combate da doutrinação ideológica no ensino. Entre as medidas defendidas pelo movimento estão a afixação de um cartaz nas salas de aula informando seis deveres do professor e a garantia de que todas as aulas possam ser gravadas e disponibilizadas para pais e alunos.

A principal estratégia do Escola Sem Partido no combate a casos de doutrinação ideológica tem sido a divulgação de vídeos em que isso acontece. A publicidade ocorre nas redes sociais e no site do movimento.

A partir de 1º de agosto, o movimento orienta que as denúncias passem a ser direcionadas ao Ministério da Educação, aos Ministérios Públicos (MPs), às secretarias de Educação e aos políticos que tenham sido eleitos em defesa da causa Escola Sem Partido.

“FIZ PAPEL DE BOBO”

O coordenador, Miguel Nagib, ainda fala que fez “papel de bobo” ao ter vários encontros desmarcados com o MEC, algo recorrente, segundo ele, desde a gestão do então ministro Ricardo Vélez.

“Depois da posse, fiquei esperando um contato por parte do MEC. Não veio. Em fevereiro, tentei marcar uma audiência com o ministro Vélez. Ligava, deixava recado, e não retornavam a ligação. Finalmente, consegui. No dia marcado, porém, o ministro se desculpou dizendo que havia surgido um compromisso urgente. Uma assessora insistiu que o ministro fazia questão de falar comigo, disse que ligaria na semana seguinte para marcar outra reunião, mas não ligou. Fiz papel de bobo”, recorda.

Na posse do atual ministro de Educação, Abraham Weintraub, o movimento Escola Sem Partido critica que nem o atual responsável pela pasta e nem o presidente Jair Bolsonaro tenham falado em seus discursos sobre o “problema da doutrinação e da ideologia de gênero. Nem uma palavra sobre Escola sem Partido”.

“Em junho, a deputada Bia Kicis [PSL/DF] pediu para que eu a acompanhasse em uma reunião com o ministro Weintraub. Fomos, mas não conseguimos muita coisa. O ministro estava mais preocupado em falar do que ouvir. Na semana passada, o MEC divulgou os planos do ministério para os próximos 3 anos e 5 meses de governo. De novo, nem uma palavra sobre doutrinação, ideologia de gênero e Escola sem Partido”, apontou.

Sem apoio e sem dinheiro


Somado ao que consideram “frustração” sobre o tratamento dado por Bolsonaro ao tema, o movimento Escola Sem Partido também diz que não tem mais recursos para manter a instituição ativa. Ao longo do tempo, o movimento calcula ter arrecadado apenas R$ 10 mil em doações.

Miguel Nagib, que é advogado, afirma que não recebe apoio de nenhuma empresa pública ou privada.

Por não ter apoio financeiro, os custos são arcados do próprio bolso em relação à promoção de eventos, despesas com manutenção do site e redes sociais e demais despesas correntes da instituição. Sem ter como pagar alguém para auxiliar, Nagib ainda lista que produz conteúdos de divulgação, “lê e responde e-mails, escuta os áudios, edita os vídeos, analisa o material didático enviado; redige petições, denúncias e pareceres; orienta os estudantes, pais e políticos, dá palestras e entrevistas”.

“Se necessário, pago também as minhas passagens e hospedagens quando sou convidado para dar uma palestra fora de Brasília. Não cobro para dar palestras (só fiz isso duas vezes). Se somarmos todas as doações em dinheiro e material (como camisetas, por exemplo) recebidas pelo ESP nos últimos 15 anos, o valor não chega a R$ 10 mil”, frisa. (...)



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