Ato da CUT-RS e centrais em Porto Alegre protesta contra reforma da Previdência de Bolsonaro

Compartilhe: Facebook Twitter Google+



A Esquina Democrática, onde pulsam as mobilizações sindicais e populares no centro de Porto Alegre, foi tomada por centenas de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, no final da tarde desta quinta-feira (14), durante o ato da CUT-RS e centrais sindicais contra a proposta do governo do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) para a reforma da Previdência.

Eles e elas levantaram bandeiras e cartazes, enquanto dirigentes de entidades sindicais e estudantis e vários parlamentares se revezaram no caminhão de som, denunciando que a proposta representa, na verdade, o fim da aposentadoria para milhões de brasileiros. Houve também gritos de “Lula livre”.

A manifestação ocorreu no mesmo horário em que o governo anunciava que pretende enviar, na próxima quarta-feira (20), a proposta de reforma ao Congresso Nacional. A íntegra do pacote – que entre outras medidas institui um sistema de capitalização que não deu certo no Chile, mas é o sonho dos banqueiros – só será divulgada nessa data.

Tirem as mãos1

CPERS Sindicato na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Tirem as mãos da nossa aposentadoria

Entre as mudanças "vazadas" está o fim da aposentadoria por tempo de contribuição (35 anos para homens e 30 para mulheres), com a implantação da idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, com 12 anos de transição. Essa injusta alteração, se for aprovada, irá punir quem começou a trabalhar mais cedo. Outros não conseguirão emprego, pois as empresas evitam contratar trabalhadores com idade avançada. Desse jeito, muitos ficarão sem trabalho e sem aposentadoria. Ou terão que trabalhar até morrer ou morrer trabalhando.

Não foi à toa que o título do panfleto da CUT-RS, que convocou o ato, foi “Tirem as mãos da nossa aposentadoria”. Se a proposta do presidente ilegítimo já era ruim e foi barrada pela mobilização dos trabalhadores, a do Bolsonaro é muito pior.  

O ato antecedeu a Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, convocada pelas centrais, que acontecerá na próxima quarta-feira (20), na Praça da Sé, em São Paulo. Trabalhadores irão deliberar sobre as próximas ações de resistência para barrar a proposta de Bolsonaro.

Ivonete

Reginete Bispo, suplente do senador Paulo Paim (PT-RS), sempre presente na luta.

Construir uma greve geral

O vice-presidente da CUT-RS, Marizar de Melo, defendeu a unidade com as centrais sindicais, movimentos sociais, populares e estudantis “para construir um processo de mobilização que seja maior do que 28 de abril de 2017, quando construímos uma greve geral” que barrou a proposta do Temer.

“Temos que trazer inclusive aqueles que equivocadamente ajudaram a eleger esse projeto que está destruindo o nosso país, o nosso estado e a nossa capital”, salientou. “É uma reforma criminosa que vai fazer com que os trabalhadores não consigam mais se aposentar”, alertou Marizar.

Marizar falando

Marizar de Melo, vice-presidente da CUT-RS

Reforma não é necessária

Ele disse que “chegou a hora de fazer uma grande mobilização e mostrar para esse governo que não queremos reforma da Previdência porque ela não é necessária”. Ele ressaltou que “a CPI no Senado comprovou que a Previdência é superavitária”, mostrando que há problemas de sonegação de contribuições, não pagamento de dívidas e desvinculação de receitas.

“É tarefa nossa construir uma greve geral no Brasil para derrotar a reforma da Previdência e para segurar o patrimônio público e a soberania nacional, para que não sejam entregues ao capital internacional”, destacou o dirigente da CUT-RS.

Sônia

Sonia Solange, diretora do CPERS Sindicato e da CUT-RS

Lula livre

Marizar aproveitou para lembrar que “o desmonte começou com o golpe que derrubou a presidenta Dilma, continuou com o golpista Temer e agora estão cumprindo o terceiro turno, que é o golpe da entrega do patrimônio nacional, mas nós não vamos deixar”. Ele terminou defendendo a liberdade e pedindo “Lula livre”.

A vice-presidente da CTB-RS, Silvana Conti, destacou que o ato foi importante para denunciar que o governo “mente para a população” ao afirmar que irá arrumar as contas públicas fazendo a reforma da Previdência. “A gente quer ampliar a luta contra a reforma e mostrar que o governo quer quebrar com os trabalhadores”, disse.

Também se manifestaram dirigentes da CSP-Conlutas, Intersindical, UGT e CGTB.

Farias 1

Paulo de Farias, secretário de Meio Ambiente da CUT-RS

Não é reforma, é o fim da aposentadoria

Vários manifestantes criticaram o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua fala de que “todo mundo consegue trabalhar hoje até os 80 anos”. Também foi contestado o projeto do ministro da Economia, Paulo Guedes, de estabelecer um regime de capitalização para a Previdência, apontando que esse modelo foi implementado no Chile durante a ditadura Pinochet. Hoje, a maioria dos aposentados chilenos recebe hoje menos do que um salário mínimo por mês e o número de suicídios entre idosos acima de 70 anos bateu recorde.

“Não nos resta outra alternativa senão esclarecer a população sobre o que traz essa falsa reforma da Previdência. Porque não é reforma, é fim da aposentadoria”, falou ao público a presidente do CPERS Sindicato, Helenir Aguiar Schürer. “A capitalização é responsável por centenas de suicídios de idosos no Chile. É isso que querem trazer para o Brasil e vamos ter que movimentar a base da população”, completou.

Helenir e Previdência

Helenir Aguiar Shüerer, presidente do CPERS Sindicato

Dialogar com o povo para desmascarar o governo

O deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS) disse que não é otimista quanto à posição do Congresso. “Somos minoria. Eles têm votos para massacrar os trabalhadores que querem se aposentar em vida. É preciso trancar estradas, estar nos aeroportos falando com os parlamentares, mobilizar em todos os lugares”, defendeu.

Marcon falando

Dionilso Marcon, deputado federal (PT-RS)

A deputada federal Fernanda Melchiona (PSOL-RS) reforçou a importância da luta para esclarecer a população. “Temos uma ampla jornada de mobilização pela frente. Nossa caminhada é de dialogar com o povo, derrotar o projeto neoliberal e desmascarar esse governo”, discursou.

Melchiona1

Fernanda Melchiona, deputada federal (PSOL-RS)

Também se manifestaram as deputadas estaduais Sofia Cavedon (PT) e Luciana Genro (PSOL).

Desmonte da Previdência interessa aos bancos

Presente ao ato, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência no governo Dilma Rousseff, Miguel Rossetto, denunciou que a reforma representa o desmonte da Previdência, o que interessa à iniciativa privada e aos bancos. “Os ricos não estão no INSS, os ricos desse país estão ao lado do Paulo Guedes e do Bolsonaro. Destruir a Previdência pública é abrir espaço ao mercado privado dos bancos deste país”.

“Defender a previdência é defender proteção social para milhões de trabalhadores do campo e da cidade, que não têm condições de trabalhar e poder sobreviver. É preciso mobilização, participação. Fomos capazes de bloquear a alteração quando Temer a propôs e temos todas as condições de bloquear esta porque é errada, ruim, injusta”, avaliou Rossetto.

Rossetto1

Miguel Rossetto, ex-ministro do Trabalho e da Previdência

Segundo o ex-ministro, “não é aceitável que, por um lado, o governo fragilize as relações de trabalho com contratos provisórios, e, por outro lado, exija tempo maior de contribuição. Essa proposta vai inviabilizar o direito à aposentadoria, vai criar uma tragédia social porque vai levar milhões de trabalhadores idosos a uma condição de indigência”.

Jovens na luta com os trabalhadores

O presidente da UEE Livre, Maicon Prado, disse que “o que está proposto não é uma reforma, mas a destruição da Previdência. Ataca os mais vulneráveis, afeta a juventude que tem dificuldades com o primeiro emprego e, portanto, também em se aposentar”.

Para ele, “a nós, jovens, cabe resistir com unidade junto aos demais trabalhadores para barrar esse desmonte”.

Ato Previdência

Centrais sindicais mostraram disposição de luta para barrar reforma de Bolsonaro

Assista à transmissão da CUT-RS!


INFORMAÇÕES PARA CONTATO

Rua Vicente da Fontoura, 1262/203
Rio Branco - Porto Alegre/RS.

Telefone: (51) 3235-2265

E-mail: feteesul@feteesul.org.br